


A 5a edição foi demais!
De 2 a 4 de setembro, a Oca Tururim, no Centro Cultural Indígena Pataxó da Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA), virou ponto de encontro da literatura indígena: contação de histórias, apresentações artísticas, varal literário, livraria com lançamentos de livros, e rodas de conversa com escritores, contadores de histórias, lideranças indígenas, artistas e pesquisadores de todo o Brasil e da América Latina.
Nesta edição, homenageamos Maria Coruja, liderança Pataxó cuja trajetória se entrelaça com a comunidade, a memória e os saberes do território.
E o tema desta edição nos convidou a olhar para os bichos a partir de diferentes narrativas, saberes e formas de relação com o território.
"Um Manifesto de Bichos" atravessou todas as atividades e virou um canto de amor, de memória e de protesto escrito por Trudruá Makuxi, poeta, escritora e supervisora curatorial do Caju.



Um Manifesto de Bichos
por Trudruá Makuxi
Saudações ancestrais a todos os bichos que foram os primeiros a pisar, voar e nadar nessa terra. Antes de serem bichos, foram antepassados; antes de serem caça, foram professores. São sujeitos sencientes e foi deles que muitos povos se originaram.
Quando um bicho morre, vira espírito da floresta. Quando um território indígena é atacado, os bichos são atacados. Sem terra indígena, não há proteção animal e ambiental.
Que fique decretado: saber a língua dos bichos, conhecer a vida dos bichos, compartilhar o território com eles é uma honra hoje, e sempre será.
Este manifesto nasceu das rodas de conversa do 5o Caju de Leitores, na Aldeia Xandó, escrito a muitas mãos, por crianças, jovens, escritores, educadores e artistas indígenas.
É um canto de amor, de memória e de protesto contra cinco séculos de colonização!


Sobre o festival
A escrita das línguas indígenas, a publicação de suas histórias tradicionais e a inserção de artistas indígenas no mundo da literatura, das artes visuais e do audiovisual são ferramentas contemporâneas que colaboram para dar visibilidade às lutas e às resistências dos povos indígenas.
São iniciativas que esbarram na limitada difusão junto aos espaços de saber, mas que contribuem imensamente para a sociedade superar a visão preconceituosa e colonizadora predominante na contemporaneidade.
O Festival de Literatura Indígena CAJU de Leitores tem orgulho de ser um dos espaços de valorização das oralidades, escritas e escutas da cultura originária.
Desde 2022, realizamos o festival com ampla programação cultural – contação de histórias, rodas de conversa, varal literário, apresentações artísticas, feira de livros e artesanato.
Reunimos diversas lideranças da etnia Pataxó e já recebemos escritores, pensadores, comunicadores e artistas indígenas de todo o Brasil como Daniel Munduruku, Cristino Wapichana, Auritha Tabajara, Trudruá Macuxi, Márcia Kambeba, Lucia Tucuju, Edson Kayapó, Adriana Pesca, Samela Sateré Mawé, Tukumã Pataxó, Marcos Terena, Yamaluí Kuikuro Mehinaku, Liça Pataxoop, Vãngri Kaigáng, entre outros.

“A oralidade sempre foi a nossa matriz e o livro vem reforçar essa oralidade, não vem substituir.”
Trudruá Macuxi, poeta, escritora, palestrante e pesquisadora de literatura indígena e doutora em Teoria da Literatura.
Melhores momentos
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