Convidados 2026
Autores e autoras de diferentes povos indígenas participam do festival

Adriana Pesca (Hitxá Pataxó)
Professora, poeta e ativista do Povo Pataxó, da Terra Indígena Coroa Vermelha, no Extremo Sul da Bahia. Docente da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), dedicou quase duas décadas à educação escolar indígena, semeando leitura e pertencimento nas escolas do seu território.
Mestre em Relações Étnico-Raciais e pesquisadora das poéticas do corpo-território, sua escrita é voz ancestral que resiste e encanta.
Fez história ao se tornar a primeira pessoa indígena a ocupar uma cadeira na Academia de Letras de Porto Seguro — e segue abrindo caminhos para a autoria indígena no Brasil.
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Aline Kayapó (Ngrenhtabare Lopes Kayapó)
Escritora premiada, ceramista, parteira, arqueira e pesquisadora, Aline pertence aos povos Mebêngôkre-Kayapó (Pará), Tupinambá-Uruitá e Aymara (Peru) — e carrega essa multiplicidade de mundos em tudo o que cria.
Co-fundadora do Movimento Plurinacional Wayrakuna, primeiro grupo de pesquisa formado só por mulheres indígenas, e da União Plurinacional dos Estudantes Indígenas (UPEI), ela também é idealizadora e principal estilista da marca indígena Originárias. Acadêmica de Direito, integra as comissões de Direitos Humanos e de Justiça Restaurativa da OAB/SP.
Autora de "Nós: Uma antologia de literatura indígena", Aline é mãe do pequeno Yupanki Bepriabãti — e sua arte, sua escrita e sua luta são, acima de tudo, um gesto de amor pela ancestralidade e pelo Bem Viver.

Apêtxienã Pataxó
Guardião da língua ancestral do povo Pataxó, Apêtxienã é jovem aprendiz da universidade dos saberes ancestrais.
Ensina Patxôhã na Escola Indígena Pataxó Coroa Vermelha, extensão Aroeira, e integra a coordenação do Grupo de Pesquisa da Língua Pataxó - Atxôhã.
Cursa Formação Intercultural para Educadores Indígenas (FIEI) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e se reconhece como um eterno aprendiz.

Auritha Tabajara
Auritha Tabajara cresceu ouvindo lindas histórias de tradição indígena contadas por sua avó. Tornou-se escritora e a primeira cordelista indígena do Brasil.
Também é terapeuta holística, contadora de histórias indígenas, palestrante, oficineira e já participou de várias feiras literárias nacionais e internacionais.
Seu primeiro livro, “Magistério indígena em versos e poesias 2007”, foi editado e adotado pela Secretaria de Educação Básica do Estado do Ceará.
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De lá pra cá, publicou textos e cordéis em antologias indígenas online (Maria Firmino dos Reis, IHU, revista ACROBATA, poesia.org, entre outras).
Em 2018, publicou o livro “Coração na aldeia, pés no mundo”.

Carina Pataxó
Pedagoga, mestre e doutoranda em Educação pela UFRJ, com estágio de doutorado na University of Cambridge, Carina une a academia ao chão da escola — e à ancestralidade que a atravessa.
É pesquisadora de literatura indígena e professora de biblioteca em escola no Rio de Janeiro, onde semeia o encontro das crianças com os livros.
Também ensina redação no curso pré-vestibular para mulheres indígenas "Jenipapo Urucum", um espaço de preparação e afeto para quem sonha com a universidade.
Na curadoria de feiras literárias, ajudou a dar vida à "Araetá: a literatura dos povos originários", realizada em 2024 no SESC Ipiranga, celebrando as escritas indígenas no centro do país.

Geni Núñez
Ativista indígena guarani, escritora e psicóloga, Geni une a escuta da clínica à força da palavra.
Tem pós-doutorado no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) e doutorado no Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC.
Integrou a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e é membro da Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos/as (Abipsi), além de coassistente da Comissão Guarani Yvyrupa.
Autora de "Descolonizando Afetos" (2023), "Jaxy Jaterê" (2023) e "Felizes por enquanto" (2024), sua escrita atravessa afetos, memória e resistência — um convite a repensar, com ternura e profundidade, os modos de amar e de viver.

Giovanna Pataxó
Mulher indígena do povo Pataxó, educadora e guardiã da língua Patxohã, Giovanna acredita na palavra como instrumento de fortalecimento da identidade, da cultura e da memória de seu povo.
Como professora de Patxohã, desenvolve práticas pedagógicas para crianças e jovens, unindo o ensino da língua aos saberes tradicionais e à valorização da cultura Pataxó.
Também participa da organização de ações culturais, educacionais e comunitárias, fortalecendo a juventude indígena e a preservação dos conhecimentos ancestrais.
Hoje, preside o Conselho da Juventude Pataxó da Bahia (CONJUPAB), incentivando a participação das novas gerações nos processos de formação, liderança e defesa dos direitos dos povos indígenas.

Lucia Tucuju
Do povo Galibi-Marworno, do Amapá, é atriz, poetisa e contadora de histórias com formação em pedagogia.
Fundadora da Biblioteca Comunitária Pequena Alegria e coordenadora do projeto GIROLIVRO, ela é uma importante propagadora de arte e cultura indígena.
Idealizadora do projeto O livro Bate à Sua Porta, leciona Contação de Histórias Indígenas na pós-graduação em Relações Étnico Raciais na Universidade Cândido Mendes.
Seu sobrenome carrega a herança de sua ancestralidade, sua obra mescla experiências da mata e da cidade e de suas palavra e gestos ecoam uma grande sensibilidade e força feminina.

Mariela Tulián
Primeira convidada indígena de outro país da América Latina a participar do Caju de Leitores, Mariela Tulián é casqui curaca — autoridade tradicional — da Comunidade Tulián, do povo Nação Comechingón, de San Marcos Sierras, na província de Córdoba, na Argentina.
Escritora, professora e liderança indígena, é autora de "Zoncoipacha: do coração do território — o legado de Francisco Tulián", obra que recebeu menção especial nos Prêmios Nacionais de Literatura da Argentina, além de "O legado de Francisco Tulián", "La pequeña Francisca: Un cuento comechingón" e "De la tierra floreciente: Poesía de Abya Yala".
Vice-presidenta da Coordenadora de Comunicação Audiovisual Indígena da Argentina (CCAIA) e secretária da Região Sul do Conselho de Anciãs, Anciãos e Guias Espirituais do Continente, Mariela carrega na voz e na escrita a memória viva do seu território.

Maurício Negro
Autor-ilustrador, curador e gestor cultural, Maurício Negro é um dos grandes nomes da literatura indígena no Brasil.
Paulistano, nascido em 1968 e formado em Comunicação Social pela ESPM, ilustra e faz design editorial desde meados dos anos 1990 — e há mais de três décadas colabora com dezenas de autores indígenas, dando forma e cor às suas palavras.
São mais de cem livros publicados, sempre atravessados por temas ancestrais, ecológicos, populares e identitários, em diálogo com as matrizes culturais brasileiras.
Seu trabalho já foi reconhecido com prêmios como Jabuti, White Ravens, NOMA e FNLIJ, e circulou por exposições e catálogos em Bolonha, Bratislava, Frankfurt, Tóquio, Seul e outros cantos do mundo.
À frente do Negro Design Studio, também atua como consultor de literatura indígena e integra o conselho diretor da Sociedade dos Ilustradores do Brasil — unindo traço, palavra e ancestralidade em cada projeto.

Sebastián Gerlic
Mediador cultural, produtor e empreendedor social, Sebastián Gerlic soma mais de 40 anos de atuação em cinema, audiovisual, artes e comunicação.
Nascido na Argentina em 1969, onde se formou diretor cinematográfico, vive no Brasil desde 1994, convivendo com povos indígenas e dedicando-se aos estudos do xamanismo. É sócio-fundador da ONG Thydêwá (2002), criada em parceria com lideranças indígenas de vários povos, e hoje preside a organização, que reúne mais de 400 indígenas de diversas etnias.
Por lá, desenvolve projetos inovadores de educomunicação, cultura e tecnologia — como "Índios na visão dos índios", "Índios On-line" e "Índio quer paz" — e dirigiu obras audiovisuais como "Mensagens da Terra", "Inteligência Ancestral" e "O Canto da Lua".
Seu trabalho já foi reconhecido com o Prêmio Direitos Humanos da Presidência da República, entregue pelo presidente Lula.
Promotor da diversidade cultural em diálogo, Sebastián valoriza os saberes tradicionais indígenas e espalha a cultura da paz e do bem viver.

Sol Itaputyr
Artista, roteirista e empreendedora indígena do povo Jeripankó, do sertão de Alagoas — mais precisamente de Pariconha —, Sol Itaputyr é fundadora da Pindorama Comics, editora independente de quadrinhos que nasceu para dar voz às narrativas originárias.
Apaixonada pela cultura pop desde a infância, Sol transformou sua inquietação com a ausência de representatividade indígena nos quadrinhos em um projeto cultural: sua primeira obra, "Pindorama", apresenta Itaputyr, uma guerreira indígena que, ao lado de seu pajé, atravessa um portal temporal até a Europa do século XV para impedir a invasão de Pindorama — unindo fantasia, ação histórica e uma reflexão profunda sobre a colonização.
Mãe de dois filhos, criadora independente e defensora da retomada cultural indígena, Sol usa a arte como ferramenta de conscientização, fortalecimento identitário e abertura de espaço para que mais artistas indígenas contem suas próprias histórias.

Vanessa Guarani Ratton
Escritora, professora e artivista do povo Guarani M'bya, Vanessa Guarani Ratton é mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, psicopedagoga e especialista em O Livro para a Infância, Justiça Restaurativa e Cultura de Paz.
Nascida em Santos (SP), filha de pai guarani mbya e mãe italiana, seu nome indígena é Ara Poti, que significa "flor da manhã" — e foi a partir das visitas à aldeia da família, na Reserva Indígena Rio Silveira, no litoral de São Paulo, que ela passou a reaprender as histórias, os costumes e a cultura guarani que hoje semeia em sua literatura.
Formadora de educadores em culturas indígenas e articuladora do Mulherio das Letras Indígenas, é autora de livros selecionados pelo PNLD/MEC, como "A História do Fogo", "Sementes", "Pena Vermelha" e "Festa no Jardim".
Foi indicada ao Prêmio Internacional Astrid Lindgren 2026, finalista do Prêmio Barco a Vapor (2023) e vencedora do Prêmio Jabuti 2023, na categoria Fomento à Leitura, com o álbum "Guerreiras da Ancestralidade", do qual é coautora e editora.
Defensora da mãe terra, Vanessa acredita na força da palavra como caminho para a harmonia.

Sairi Pataxó (anfitrião)
Sairi é escritor, contador de histórias, fotógrafo e ativista pelo meio ambiente. Reconhecida liderança comunitária, endereça questões sociais e culturais na Aldeia Indígena Pataxó Xandó.
Ele diz que sempre adorou as histórias antigas de seu povo contadas por seus pais e avós.
Desse gosto de infância nasceu o livro “Boitatá e Outros Casos de Índios”, obra de autoria individual, mas que preserva uma memória coletiva. Fala das bravuras dos guerreiros, dos encontros com os encantados, dos ensinamentos da medicina tradicional e do modo de vida de um povo.

Trudruá Makuxi (autora de “Um Manifesto de Bichos” e supervisão curatorial)
Trudruá Dorrico Makuxi é escritora, palestrante, artista, pesquisadora de literatura indígena e curadora-convidada do CAJU pela segunda vez.
Entre seus livros destacam-se “Eu sou macuxi e outras histórias” (@caoseletras, 2019), “Originárias: uma antologia feminina de literatura indígena” (Companhia das Letrinhas, 2023) e “Tempo de Retomada” (Autêntica, 2025).
O tema do Boi Caprichoso para o Festival de Parintins de 2025 tem inspiração em seu último livro “Tempo de Retomada", que aborda a retomada territorial e a reconexão com a ancestralidade indígena, buscando fortalecer o orgulho e a identidade do povo indígena.
É licenciada em Letras/Português pela UNIR, mestre em Estudos Literários, doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS e pós-doutora pela UFRR.
Venceu em 1o lugar o concurso Tamoios/FNLIJ/UKA de novos escritores indígenas em 2019 e da 1a Mostra de Literatura Indígena no Museu do Índio (UFU).
Atua na difusão das culturas indígenas brasileiras e administra o perfil @leiamulheresindigenas no Instagram.

Tucunã Pataxó (criação visual)
O jovem ativista e artista indígena Tucunã Pataxó, natural da Aldeia mãe Barra Velha, tem se destacado no universo da tatuagem e da arte ancestral.
Aos 15 anos, descobriu sua paixão pela arte da tatuagem, expressando o grafismo indígena de forma autêntica.
Sua jornada o levou a conquistar troféus em campeonatos, onde se dedicou exclusivamente ao grafismo indígena, honrando a cultura, a beleza e a riqueza dos povos indígenas.
Sua criatividade também se manifesta através da pintura corporal, grafismo em artesanato de madeira, murais, quadros e tecidos.

Cia Teatro Livro Aberto
Verdadeira jóia do repertório teatral brasileiro, a Cia Teatro Livro Aberto leva a irreverência, o humor, o lirismo e a poesia característica da obra da premiada escritora Sylvia Orthof para públicos de todas as idades, em todo o Brasil e até no exterior!
Literatura e teatro se encontram em perfeita harmonia no trabalho desenvolvido
pela companhia criada em 1987 por Sylvia e que, mesmo depois de sua morte, continua mantendo viva sua obra e seu teatro, sob a direção de Fernando Vianna.
O repertório tem sete espetáculos que transcendem gerações e fortalecem a cultura do teatro infantil: “Ervilina e o Princês”, “Zé Vagão da Roda Fina”, “O Cavalo Transparente”, “A Viagem de Um Barquinho”, “Ponto de Tecer Poesia”, “Lustrosa, Cantora Misteriosa” e “Se as Coisas Fossem Mães”.

Maria Coruja (homenageada)
A homenageada de 2026 é Maria Coruja, liderança Pataxó que atualmente vive na Aldeia Pará.
Ela é uma das sobreviventes do Fogo de 1951, episódio de violência que marcou profundamente a história do povo Pataxó na região.
Maria Coruja desenvolve um importante trabalho com crianças e jovens do grupo Marujinhos Pataxó. Por meio do ensino de cantigas antigas e do resgate de brincadeiras tradicionais, contribui para a transmissão de conhecimentos entre gerações e para a preservação da memória e da cultura Pataxó.
A homenagem reconhece sua trajetória, resistência e dedicação às novas gerações.

Coletivo Ybryda
Integrada à programação do Caju de Leitores 2026, a exposição “A terra é corpo, a floresta é sopro y o mar é voz” estabelece um diálogo direto com o tema "Um Manifesto de Bichos".
Seu ponto de partida é a compreensão da natureza não como paisagem, mas como parente, presença viva e parte inseparável dos corpos, das memórias e das cosmologias dos povos originários.
A partir da Costa do Descobrimento e das experiências indígenas e afro-indígenas da Bahia, a mostra aborda relações com a terra, as florestas, os rios, os mangues, o mar, os animais e os seres encantados.
As obras mobilizam ancestralidades, simbologias, memórias familiares, celebrações, práticas de cuidado e relações entre gerações, convidando o público a reconhecer que preservar a biodiversidade também significa preservar espiritualidades, conhecimentos, costumes e identidades comunitárias.
A exposição reunirá quatro artistas indígenas de diferentes origens, com seis obras de cada participante, totalizando 24 trabalhos.
A seleção buscará contemplar a diversidade dos territórios e uma distribuição consciente de vagas para mulheres, pessoas com deficiência e pessoas LGBTQIAP+.
O coordenador executivo do Coletivo Ybryda, Emidio Oliveira Costa, assina o texto curatorial da exposição.
